O que deveria ser um avanço administrativo com a entrada em vigor do novo Código Tributário Municipal transformou-se em um grave colapso institucional em Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. A cidade enfrenta um verdadeiro apagão tributário, com o comércio impedido de emitir notas fiscais e prejuízos crescentes para empresários e para a própria arrecadação municipal.
No centro da crise está a empresa KBF Sistemas Consultoria e Assessoria Ltda, contratada pela Prefeitura para adequar o município às novas regras tributárias. O resultado, até o momento, é considerado desastroso.
DADOS OFICIAIS DA EMPRESA CONTRATADA
De acordo com informações constantes nos registros da Receita Federal do Brasil, a empresa responsável pelo serviço apresenta os seguintes dados:
- CNPJ: 12.418.112/0001-46
- Razão Social:KBF Sistemas Consultoria e Assessoria Ltda
- Nome Fantasia:KBF Sistemas Consultoria e Assessoria
- Data de Abertura: 20 de agosto de 2010
- Natureza Jurídica: Sociedade Empresária Limitada (206-2)
- Situação Cadastral: ATIVA desde 20/08/2010
- Enquadramento de Porte:Microempresa (ME)
- Capital Social Declarado: R$ 2.000.000,00
Os dados oficiais chamam atenção por um ponto sensível: trata-se de uma microempresa, com capital social relativamente modesto, contratada para executar um serviço estratégico e altamente complexo, que impacta diretamente toda a economia de um dos maiores municípios do sul da Bahia.
CAPACIDADE TÉCNICA EM XEQUE
A contratação de uma empresa enquadrada como ME, com capital social de R$ 2 milhões, para implantar ou adaptar um sistema tributário municipal inteiro, levanta questionamentos legítimos:
- A empresa possui estrutura técnica compatível com a complexidade do serviço?
- Quantos municípios de porte semelhante Teixeira de Freitas já tiveram seus sistemas tributários implantados com sucesso por essa empresa?
- Houve comprovação robusta de capacidade técnica na licitação?
Até o momento, os fatos práticos indicam falha grave na execução, uma vez que o sistema não consegue garantir sequer a emissão regular de notas fiscais.
COMÉRCIO PARALISADO E PREJUÍZO GENERALIZADO
Desde a entrada em vigor do novo código, empresários relatam um cenário de completo caos:
- vendas travadas;
- contratos suspensos;
- impossibilidade de faturamento;
- aumento da informalidade forçada;
- insegurança jurídica total.
O prejuízo se espalha por toda a cadeia produtiva, enquanto o município deixa de arrecadar impostos essenciais para serviços públicos.
“Estamos impedidos de trabalhar. É um erro administrativo que virou tragédia econômica”, resume um comerciante local.
O VALOR DO CONVÊNIO: POR QUE NÃO SE SABE QUANTO CUSTOU?
Um dos aspectos mais preocupantes do caso é o silêncio absoluto em torno do valor do convênio firmado com a KBF.
Até agora, não há divulgação clara e acessível:
- do valor global do contrato;
- da forma de pagamento;
- da existência de aditivos;
- de cláusulas de desempenho ou penalidades.
Diante do serviço inoperante, surgem suspeitas legítimas:
- o contrato pode ter sido firmado por valor elevado, incompatível com o porte da empresa;
- pode haver sobrepreço em relação ao serviço efetivamente entregue;
- o município pode estar pagando por um sistema que não funciona.
A ausência de transparência amplia a desconfiança da sociedade e reforça a necessidade de auditoria imediata pelos órgãos de controle.
SILÊNCIO DA PROCURADORIA AGRAVA A CRISE
Procurada para se manifestar sobre:
- a legalidade da contratação;
- os critérios técnicos da licitação;
- a possibilidade de rescisão contratual;
- a responsabilização da empresa;
A Procuradoria do Município de Teixeira de Freitas preferiu não se pronunciar.
O silêncio institucional, em um cenário de colapso administrativo, agrava a crise e alimenta suspeitas.
CONCLUSÃO: MODERNIZAÇÃO OU MAIS UM ERRO CARO AO CONTRIBUINTE?
O caso da KBF Sistemas Consultoria e Assessoria Ltda expõe, mais uma vez, os riscos de contratações mal planejadas, falta de fiscalização e pouca transparência no uso do dinheiro público.
Enquanto o comércio sangra e a cidade para, ficam as perguntas que ainda não tiveram resposta:
- Quanto custou esse convênio?
- Quem autorizou?
- Quem fiscalizou?
- Quem vai pagar pelo prejuízo?
Por Redação